quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Islândia pode vir a ter primeira mulher como chefe de governo

Talvez hoje ouçam falar disto. Se não hoje, talvez nos próximos dias. Parece que a próxima chefe de governo da Islândia poderá vir a ser a ministra demissionária dos Assuntos Sociais e goza de vasta popularidade entre a população. É ex-sindicalista e é conhecida por ter investido generosas quantias de dinheiro público na assistência a idosos e ao combate à violência doméstica. Mas cá para mim, se a notícia passar nos telejornais, há algo que vai ser dito por todos os canais: a orientação sexual da senhora - parece que é lésbica assumida. Aposto que a TVI vai ser a primeira. Já agora...se a senhora fosse hetero, isso iria ser mencionado?

domingo, 25 de janeiro de 2009

Sócrates, Freeport - Take 1?

Sem mais nenhum assunto relevante... 

No Jornal da Noite de ontem, a SIC começava a reportagem sobre a nova telenovela informativa, o caso de Sócrates e o licenciamento do Freeport, com: "Quem conhece o tio de Sócrates, diz que é discreto e muito rico.

Pois. Acho que já ouvi dizer de várias pessoas que eram muito ricas...mas em adros de igreja ou lugares que tais. Agora, começar uma reportagem na SIC a dizer que se diz que o tio do primeiro-ministro é rico? Não que seja apoiante de Sócrates - longe disso - mas este tipo de reportagem à la TVI que me desilude na SIC. Gostos.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Congressos CDS, PSDA, Moção do Zé Sócrates...

Bem, o fim-de-semana foi animadito, um aquecimento de pré-campanha eleitoral e o carregar de baterias. Alvo: PS. Seja em que zona for. A começar na moção de Sócrates. Não atentou contra o PS histórico nem a ala esquerda do partido. Acho que atentou contra o próprio Sócrates e o seu governo - felizmente.

Depois, o congresso do PSDA. Nada de especial ou inovador: o sr. Rui Melo fez erros de português, achou-se maior do que é e fez pontaria ao Costa Neves. António Soares Marinho defendeu-lhe a honra (ao Costa Neves, claro, é preciso ter honra para esta ser defendida). Berta Cabral foi devidamente - e finalmente - aclamada. E Manuela Ferreira Leite fez um discurso com a mesma garra de sempre: nenhuma. Lembrar-me do seu discurso, depois de ver o de Obama, ...

Falta o CDS. Os militantes descontentes com Portas - 6? - manifestaram-se, mas, quer se goste quer não, o PP é de Paulo Portas. 

Sem mais nada de momento.

Obama - Day One

Obama quer "nova era" nos EUA e diálogo com mundo muçulmano



Começa bem. O discurso de Obama, embora não tão marcante como no dia da eleição, transmite confiança ao eleitorado. Claro que todas as expectativas à volta de Obama não serão concretizadas - é impossível. Claro que todos nós com certeza nos iremos desiludir com algumas das suas escolhas. Pessoalmente, o meu maior receio é que Obama encarne de tal modo a pele de um estadista de tal modo que se lhe apaguem qualquer sinal de espontaneidade. No entanto, considero que o fecho de Guantánamo, a retirada do Iraque e a retoma, ainda que lenta e gradual, da economia serão os grandes contributos da sua administração. Ah! E não menos importante (antes pelo contrário, nem que seja por razões estratégicas e não de altruísmo, obviamente), uma postura não mais agressiva com Israel, mas mais influente, no sentido da criação de um Estado Palestiniano.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Alegre, Sócrates, PS, Legislativas e derivados

Alegre diz que a porta para acordo com Sócrates «é estreita»

Isto não vai dar em nada, vamos voltar ao mesmo, e o Alegre vai entrar em 2010 sentadinho num lugar parlamentar do PS a votar contra o partido e a dizer que as liberdades estão em perigo. Respeito muito Manuel Alegre pelo seu papel na instauração da democracia em Portugal, mas este recuo em nada serve o país. 

domingo, 11 de janeiro de 2009

Obama - Desilusão, já?

Obama considera improvável o fechamento de Guantánamo logo após a posse

Mau...mas afinal? Que mais tarde ou mais cedo teria de haver alguma desilusão, já eu estava à espera, mas ainda antes de ele tomar posse? Mas pronto, há que dar o benefício da dúvida: talvez seja nos primeiros 6 meses...

Capas da Visão e da Sábado

Passei ontem pelo FM, um quiosque/bar/lan-house do PA e decidi ver se algumas das capas de certas revistas me suscitavam algum interesse. Pois bem: não o conseguiram, e a da Sábado até me suscitou alguma indignação.

Não, não foram as duas maçãs nem a Mona Lisa no canto, não sou nenhum pseudodetective religioso (embora ache o Vaticano uma semiaberração, nalguns dos seus actos). Num cantinho, à esquerda, lia-se qualquer coisa sobre a "máquina de guerra do Hamas". Ok, eles recebem uns rockets do Irão, e isso até é grave. Mas numa altura em que os palestinianos em Gaza estão a ser chacinados, em que os israelitas nem edifícios da ONU poupam, falar na "máquina de guerra do Hamas é, não digo que descontextualizado, mas algo perto do inconveniente. 

Já a capa da Visão parece-me mais...de acordo com a realidade. E com a imagem abaixo, pouco mais será preciso dizer.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Israel/Palestina - Take 2

Israel quer atingir as suas metas antes de falar do fim da ofensiva

Eu estudei Lógica em Filosofia em pouco tempo, e isto está a acusar irracionalidade na minha cabeça...mas se Israel só vai parar quando lhe apetecer...isto acrescenta alguma coisa de novo? 

"No final das contas, trata-se de uma guerra contra o terrorismo. Não pedimos à comunidade internacional que se una a nossa luta, mas pedimos que nos entenda e nos dê tempo", destacou Livni.

Claro, demorem o tempo que quiserem...e sabem aquela gente que mora lá? Não se incomodem, eles um dia hão-de vos agradecer...Quando forem ter com as 70 virgens. (morrerem)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Zimbabwe

Tentei arranjar um tópico sobre o qual os EUA não tivessem grande importância, para deixar de bater um pouco no ceguinho. Não tenho grande paciência para postar sobre a guerra do gás e as temperaturas baixas, portanto lembrei-me de um país africano em queda livre: o Zimbabwe.
Como a Comunicação Social não se cansou de repetir, o Zimbabwe era, há uns anos, o celeiro de África, com altas produções de cereais, fazendo-o um país importante da África Austral e de todo o continente. 
No entanto, as políticas nacionalistas de Mugabe tornaram um país próspero numa economia decadente, com uma inflação...inimaginável nem é suficiente para descrever o caos em que se tornou o Zimbabwe. Recentemente, um surto de cólera, agravado pelo não-tratamento da água devido à falta de dinheiro do Estado transformou uma situação má numa catástrofe. 
A hiperinflação, a crise alimentar, todos os N problemas que assolam o Zimbabwe são (maioritariamente) culpa de Robert Mugabe. O outrora herói nacional converteu-se num fardo insustenvável para o seu povo. A reforma agrária, iniciada em 2000 (penso, e não tenho paciência de pesquisar), tirou terras aos agricultores brancos para dar aos negros que tinham sofrido com a guerra da independência (se não foram as palavras exactas do sr. Mugabe, penso que era este o sentido). Pois bem, não acho correcto. Não se deve expropriar a propriedade de ninguém, muito menos por motivos raciais. Mas se as terras ainda fossem para distribuir ao povo...Acontece que não foi. Mugabe distribuiu milhares de hectares de terra pela sua pequena cúpula, mostrando até que ponto a corrupção está tão incrustrada no Zimbabwe (e em boa parte de África). O governador do Banco Central do Zimbabwe, Gideon Gono, está a construir, no meio de toda a pobreza envolvente e com o o surto de cólera a crescer incontrolavelmente, uma soberba mansão, inspirada na luxuosa propriedade de...Mugabe, quem mais? (talvez um general ou outro zimbabueano...) E a obra vai avançada, parece que já tem 40 e tal suites...só lhes falta comprarem uma mansão em LA, darem um saltinho a Vegas aos fins-de-semana...mas isso há de ser quando a população morrer toda (de cólera, de fome...é à escolha). O que resta dela.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Entrevista a José Sócrates

A entrevista do primeiro-ministro José Sócrates, transmitida segunda-feira pela SIC, foi vista por cerca de 2,7 milhões de telespectadores, mas não passou do quinto lugar entre os programas mais vistos do dia.

2,7 milhões de ingénuos dos quais eu orgulhosamente não faço parte. No entanto, nem a entrevista ao primeiro-ministro consegue bater o share das telenovelas da TVI. Incrível!

Somália 1991-2008

Comecei a seguir a situação na Somália um pouco antes de ela explodir na Comunicação Social. Depois, comecei a tentar perceber as razões que tinham levado a um caos tão grande. Pois bem: desde a queda do regime ditatorial de Siad Barre, em 1991, o país mergulhou num caos, com os "senhores da guerra", os líderes dos clãs, a tomarem a capital. Em 1992, a ONU iniciou uma acção humanitária no país, com a ajuda dos EUA. Embora conseguisse diminuir a fome no país, a operação foi um fiasco, com a morte de 18 soldados norte-americanos, cujos corpos foram expostos pelas milícias nas ruas da capital, Mogadíscio. Em virtude disso, os EUA abandonaram o país em 1993. Sozinha, a ONU retirou-se oficialmente do país em 3 de Março 1995. Depois destes acontecimentos, os EUA e a maior parte dos outros países do mundo viraram as costas à Somália.

Os anos passaram e as fomes e as guerras foram continuando e ganhando proporções crescentes.

Um governo de transição foi nomeado e apadrinhado pelos EUA. No entanto, não tinha poder nenhum nem gozava do apoio da população, tanto que a tomada de posse foi em Nairobi (capital do Quénia), em 2004.

O mundo só voltou a acordar para a Somália em 2006, quando a União das Cortes Islâmicas (UCI) tomou de assalto vários pontos do país, incluindo a capital, Mogadíscio. Pela primeira vez desde 1991, a Somália tinha alguma paz.

De imediato, os EUA e o Reino Unido consideraram a UCI uma ameaça terrorista com ligações a Al-Qaeda e, juntamente com a Etiópia, país vizinho e impopular entre os somalis, esmagaram a UCI, mergulhando novamente o país no caos.

Depois de ver isto, claro que a minha reacção foi: "mas os EUA só fazem m****?!?". É inacreditável a ingerência e o abuso de poder que os EUA protagonizam. Enquanto que na primeira vez a presença dos marines na Somália era em missões humanitárias, em 2006 destinou-se apenas a esmagar a UCI, que deram ao país um período de paz pela primeira vez desde 1991. 

Os EUA são co-responsáveis pelo caos da Somália. A comunidade internacional é cúmplice. Mas é a mesma comunidade internacional apressou-se a mandar navios de guerra para vigiar a pirataria na costa da Somália e do Iémen. No entanto, em vez de reagir pela força, há que procurar saber as razões que levam tanta gente á pirataria: acredito que, tal como no terrorismo, a pirataria é muito apoiada pela população porque é a actividade que lhes permite fugir à fome e à morte. As pessoas precisam de dinheiro para viver no mundo capitalista de hoje, e se a única solução são actividades consideradas ilícitas, então o seu instinto de sobrevivência leva-as a aceitar essas mesmas actividades. v.d. o ópio no Afeganistão, o narcotráfico na Guiné-Bissau, ... a lista é infinita.

Se os EUA querem alargar a sua predominância em decadência, façam-no melhorando o nível de vida das pessoas e não com armas e ameaças.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Israel/Palestina

É certo que o Hamas violou o cessar-fogo (Israel também). É certo que os rockets continuamente por eles lançados causaram vários mortes de pessoas inocentes. Mas isso nunca pode justificar a reacção completamente desproporcionada de Israel - é como reagir a uma bofetada com um espancamento. Nada justifica um massacre como este, com centenas de mortos, alguns sem qualquer relação com o Hamas. O pretexto de acabar com esta organização (terrorista?) não torna aceitável que uma família inteira seja morta para encontrar um líder do Hamas, força democraticamente eleita. Democraticamente.
Mas os ataques aéreos não foram suficientes. Não, nada disso, porque o Tio Sam deu aos sobrinhos umas armas mesmo boas que eram uma pena ficarem arrumadas. O ministro da Defesa israelita, Ehud Barak, já admitiu que o conflito não será curto nem fácil e uma incursão terrestre já começou. “Pode levar tempo e cada um de nós deve ser paciente para que completemos a missão”. E a missão é...? Como se atacar um povo não fosse suficiente, o objectivo e o tempo da "missão" são completamente desconhecidos.
Isto leva-me a acreditar que a principal organização terrorista naquela zona não é o Hamas mas sim Israel. Quem duvide, veja a evolução do tamanho da Faixa de Gaza até aos dias de hoje. Israel quer tanto o desaparecimento da Palestina como o Hamas quer o de Israel.