terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Somália 1991-2008

Comecei a seguir a situação na Somália um pouco antes de ela explodir na Comunicação Social. Depois, comecei a tentar perceber as razões que tinham levado a um caos tão grande. Pois bem: desde a queda do regime ditatorial de Siad Barre, em 1991, o país mergulhou num caos, com os "senhores da guerra", os líderes dos clãs, a tomarem a capital. Em 1992, a ONU iniciou uma acção humanitária no país, com a ajuda dos EUA. Embora conseguisse diminuir a fome no país, a operação foi um fiasco, com a morte de 18 soldados norte-americanos, cujos corpos foram expostos pelas milícias nas ruas da capital, Mogadíscio. Em virtude disso, os EUA abandonaram o país em 1993. Sozinha, a ONU retirou-se oficialmente do país em 3 de Março 1995. Depois destes acontecimentos, os EUA e a maior parte dos outros países do mundo viraram as costas à Somália.

Os anos passaram e as fomes e as guerras foram continuando e ganhando proporções crescentes.

Um governo de transição foi nomeado e apadrinhado pelos EUA. No entanto, não tinha poder nenhum nem gozava do apoio da população, tanto que a tomada de posse foi em Nairobi (capital do Quénia), em 2004.

O mundo só voltou a acordar para a Somália em 2006, quando a União das Cortes Islâmicas (UCI) tomou de assalto vários pontos do país, incluindo a capital, Mogadíscio. Pela primeira vez desde 1991, a Somália tinha alguma paz.

De imediato, os EUA e o Reino Unido consideraram a UCI uma ameaça terrorista com ligações a Al-Qaeda e, juntamente com a Etiópia, país vizinho e impopular entre os somalis, esmagaram a UCI, mergulhando novamente o país no caos.

Depois de ver isto, claro que a minha reacção foi: "mas os EUA só fazem m****?!?". É inacreditável a ingerência e o abuso de poder que os EUA protagonizam. Enquanto que na primeira vez a presença dos marines na Somália era em missões humanitárias, em 2006 destinou-se apenas a esmagar a UCI, que deram ao país um período de paz pela primeira vez desde 1991. 

Os EUA são co-responsáveis pelo caos da Somália. A comunidade internacional é cúmplice. Mas é a mesma comunidade internacional apressou-se a mandar navios de guerra para vigiar a pirataria na costa da Somália e do Iémen. No entanto, em vez de reagir pela força, há que procurar saber as razões que levam tanta gente á pirataria: acredito que, tal como no terrorismo, a pirataria é muito apoiada pela população porque é a actividade que lhes permite fugir à fome e à morte. As pessoas precisam de dinheiro para viver no mundo capitalista de hoje, e se a única solução são actividades consideradas ilícitas, então o seu instinto de sobrevivência leva-as a aceitar essas mesmas actividades. v.d. o ópio no Afeganistão, o narcotráfico na Guiné-Bissau, ... a lista é infinita.

Se os EUA querem alargar a sua predominância em decadência, façam-no melhorando o nível de vida das pessoas e não com armas e ameaças.

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