segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Tiësto - Kaleidoscope

Talvez os menos distraídos tenham já percebido que este não é um post sobre política. É sobre música. Sobre EDM - electronic dance music. Grande viragem, bem sei. Mas a política anda demasiado sensacionalista por estes dias.

Bem, o Tiësto sempre foi dos meus DJs/Produtores preferidos. Depois de um verdadeiro álbum de trance, o In My Memory (2001), da masterpiece que foi o Just Be (2004) e da sensaboria (excepção feita a um par de faixas) do Elements Of Life (2007), volta com um Kaleidoscope. O nome poderia indicar que dada a quantidade vocalistas convidados, era de esperar alguma diversidade de estilos, talvez consoante o género em que o artista convidado melhor se insere.


Não - pelo menos na maior parte do álbum. Analisando faixa-a-faixa:

Kaleidoscope - O vocalista é o Jonsi, dos Sigur Rós, e existem influências da banda, ou pelo menos do vocalista, óbvias em toda a faixa. O tipo de registo vocal, arrastado, a melodia, ...
É das melhores faixas do álbum e das melhores do Tiësto talvez desde a Somewhere Inside. Um opus de 8 minutos, em que 5 são um puro bliss e os últimos três um electro-trancey decente. Muito, muito bom. 9,5/10

Next.

Escape Me (feat. CC Shefield) - Meh. A faixa é gira, mas é tão catchy quanto vulgar. Apesar do timbre da CC Shefield ser interessante, a melodia, os riffs de electro são medianos e nada inovadores. 5.5/10

You Are My Diamond (feat. Kianna) - NÃÃO! O próprio Tiësto já admitiu que se o álbum fosse lançado agora e não em Outubro, tinha retirado esta faixa e a I Will Be Here (curiosamente, o primeiro single). Esta You Are My Diamond é uma desilusão. Note-se, não é o apocalipse, a Kianna dos Tiny and the Wall não desafina (embora lance uns berros a cantar "I'm with you everydaaaay, so everydaaaay I shine so bright" - este verso já ilustra a pobreza lírica desta faixa, btw.) mas quem já produziu álbuns como Just Be devia ser açoitado em público depois de lançar uma faixa destas. 4/10

I Will Be Here (feat. Sneaky Sound System) - Os próximas artistas convidados são australianos. Bem, não sei porque é que o Tiësto queria excluir agora esta faixa. É um "power-electro" mediano. Ok, os synths do refrão são de qualidade duvidosa, e a faixa em si parece mais preocupada em ser radio-friendly, com os breakdowns a atropelarem os build-ups e vice-versa. (Breakdown - parte sem batida; build-up - introdução de elementos, rítmicos ou não, que de algum modo preparem o ouvinte para o reaparecimento da batida). À parte disso, acho que há uma harmonia bem conseguida entre a letra e a música - especialmente no refrão, a melodia consegue transmitir o mesmo sentimento da letra. 6/10

I Am Strong (feat. Priscilla Ahn) - Está no meu Top 5 deste álbum, no que toca aos vocais. A voz da Priscilla Ahn é perfeita, e o início capta imediatamente a atenção. Só é pena o break com aquele synth não ter maior duração, para salientar mais a voz. De resto, nada a acrescentar. 8/10

Here On Earth (feat. Cary Brothers) - Não sendo inesquecível, nem por isso deixa de ser bem conseguida e com alguns efeitos originais que adicionam interesse à faixa (aquilo no início é um despertador?). É um vocal prog-house que deveria influenciar mais os produtores deste género. 7/10

Always Near - É um excelente outro para a Here On Earth. Tanto a versão do álbum como a versão mais longa são sublimes. Óptimo instrumental e exploração do tema. 7,5/10

It's Not The Things You Say (feat. Keke Okerlele, dos Bloc Party) - A faixa tem muita influência blocparty-iana. (Aqueles pianos!) É uma faixa de breaks, um bom uso da voz do vocalista dos Bloc Party, sem nada de mais a acrescentar. 8/10

Fresh Fruit - Começa com a apresentação do tema. Adiciona-se um esquema de batida. E outro. E uns efeitos. Bem, a melodia é interessante, mas esta faixa assemelha-se demasiado com um how-to para produzir EDM. Segue exactamente o mesmo esquema (se bem que esta bem mais trabalhada) de uma faixa pouco conhecida do Tiësto, de 1998, sob a alias Roze, Our Love. 7/10

Century (feat. Calvin Harris) - Fácil e vulgar. Ok, tem partes interessantes, fica no ouvido, o Calvin Harris não fica fora do contexto...mas não há faísca nenhuma na faixa. 6,5/10

Feel It In My Bones (feat. Tegan and Sara) - Agora sim. O vocal é delicioso, o início é muito bom...Isto aqui vale a pena. Liga tudo na perfeição. 9/10

Who Wants To Be Alone (feat. Nelly Furtado) - O início é demasiado influenciado pelo Lady Gaga, o que provoca logo uma desilusão numa faixa em que a vocalista convidada é a Nelly Furtado. Aliás, aqui o melhor da faixa é a voz, o instrumental é vulgar. Seria uma faixa medíocre se aquele devaneio "I'm out of my head.." não fosse algo com conteúdo. 6/10

LA Ride - É audível...tem até alguma qualidade. Mas não há nada que a faça ficar na memória, com a excepção da repetição incessante da guitarra. 6/10

Bend It Like You Don't Care - Isto é...não sei bem, techno? É mais rápido e agressivo que house, mas não tem praticamente nenhum elemento para que possa ser considerar tech-trance. Seja como for, é uma faixa original, que chama a atenção. Certamente resulta bem em qualquer dancefloor. 7/10

Knock You Out (feat. Emily Haines) - Esta faixa junta (quase) tudo. É energética, o vocal imprime ritmo e está muito bem conseguido, tem uma melodia rica. Isto é o que uma faixa vocal com o objectivo de chamar as atenções num set devia ser, e não um "When Love Takes Over" qualquer. Talvez a avaliação que vou atribuir a esta faixa seja influenciada pelo facto de eu achar esta faixa quase perfeita, pelo que acho um 8,5/10 bastante razoável.

Louder Than Boom - Um instrumental bastante original, com o breakdown a incorporar uns sons que fazem lembrar as consolas da Atari. Uma boa aproximação a um electro/tech-house. 7,5/10

And finally...

Surrounded By Light - Um outro adequado depois de 16 faixas. Acho que deve resultar bem ao nascer do sol, naqueles momentos todos Zen e tal. Acho que a faixa está bem trabalhada. 8/10



Ainda uma pequena nota sobre as faixas bónus:

Organised Chaos - a irmã pobre da Louder Than Boom. Um nada desinspirada, vulgar. 6/10

Bad Behaviour (feat. Dizzie Rascal) - Quando o Tiësto decide gravar os seus problemas de flatulência e o Dizzie Rascal julga-se inspirado, o resultado é...Bad Behaviour. Don't try this at home.




Conclusão: o álbum é uma desilusão. Não por o Tiësto ter mudado de estilo (o pouco que resta de trance aqui foi reduzido à velocidade de muitas das faixas e algumas características melódicas), mas pela curta duração das faixas, muitas delas tornando o álbum mediano, claramente produzido com o intuito do Tiësto ter alguma visibilidade no mercado americano, sobretudo através da vertente indie (Emily Haines - vocalista dos Metric, Bloc Party e outros). Alguns dos produtores do álbum foram o Danja, protegido do Timbaland, Marcella Araica, alguns produtores de popstars como a Britney.

Avaliação final: 6,5/10. Meh.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Back in the biz

A ver se venho aqui mais vezes no futuro, já perdi o jeito.

E qual é o sensacionalismo político que eu venho cá comentar, qual é? Berlusconi, claro. Bem, já vai atrasado e de certeza não há nada de útil a acrescentar. Mas são onze e meia numa sexta-feira em que não vou fazer nada de útil e parecendo que não, isso chateia.




Portanto,



O Berlusconi levou com uma estátua, atirada por um louco.

É condenável?

Claro.




Mas alguém consegue evitar, por mais que tente esconder, um sorrisinho, mesmo que não o mostre, do tipo "Toma lá que já almoçaste"?

Eu não.




É inaceitável e degradante atacar um chefe de Governo daquela maneira?

Claro.




É aceitável que o governo italiano afirme que vai "varrer" da net todos os blogs que manifestem o seu apoio ao agressor, um lunático de primeira?

Não.




E se eu tivesse paciência fazia uma dissertação sobre o estado da política actual, mas isso já está exposto nos dois posts abaixo.





Já perdi o jeito a isto.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Continuando o texto iniciado há dias...

Mesmo aceitando que a Política é uma actividade raramente - nunca - transparente e clara, como utopicamente deveria ser sempre, a verdade é que, pelo menos, teoricamente, o Estado somos Nós, como já disse anteriormente. Somos nós, o eleitorado, que escolhemos quem nos representa. E qualquer cidadão com mais de 18 anos pode candidatar-se a cargos públicos.

Não obstante tudo isso, é importante não esquecer que os nossos actuais representantes no poder executivo não inspiram confiança para ultrapassar momentos mais difíceis como os que vivemos actualmente.

A classe política actual apresenta-se-nos...ociosa. Preguiçosa. Apesar de todos nós podermos mudar os nossos representantes, a verdade é que não temos grande alternativas.

Hoje em dia, e provavelmente desde sempre, a política e os políticos precisam de ser mais assertivos. A distância entre o eleitorado e os políticos é enorme.

De facto, os políticos precisam de se aproximar do povo. Saber as suas opiniões e procurar respostas pragmáticas. Eficazes. Nem que se sacrifice ideologias.

Na minha opinião, há obviamente propostas que atravessam - ou deviam - qualquer ideologia. Há medidas que deviam ser transversais a teorias. A crise com que nos deparamos leva a que as medidas a tomar vão desde o maior controle do Estado, originalmente de esquerda até a redução de impostos, medida apoiada pelo liberalismo económico.

Do mesmo modo, este texto não nem de esquerda nem de direita. Pretende apenas expor a neccessidade de uma reflexão sobre estas problemáticas e a urgência em apontar propostas e soluções."Apartidárias", "aideológicas" ou até "apolíticas". Apenas propostas e soluções eficazes.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Ponto de Situação

Não é novidade para ninguém ouvir - ou protagonizar - queixumes contínuos relativos à política e sobretudo aos políticos. "Só querem poleiro!", "Andam sempre na roubalheira, são uns aldrabões", etc.
Decerto os políticos terão uma grande - a maior - responsabilidade por tais afirmações e pelo que estas reflectem na posição dos cidadãos em relação à política.
No entanto - e porque nada é exclusivamente culpa de apenas uma das partes -, é preciso nunca esquecer que, desde o 25 de Abril, o Estado somos Nós. Somos nós, o eleitorado, a população, que elegemos os nossos representantes. E, no caso de nenhum candidato agradar a um eleitor, esse pode sempre ingressar na vida política e propor-se a eleições. "A Política está viciada nos Partidos Políticos?" Sem deixar de lamentar o facto de apenas os partidos poderem candidatar-se às legislativas, há sempre duas maneiras de enfrentar essa adversidade: "infiltrar-se" na "máquina" do Partido, ou criar um novo.

Enfim, chega de introdução. O objectivo deste texto/post é apresentar o meu ponto de vista acerca do teatro político actual.

Tendo em conta que, tanto pela abstenção como pela apatia revelada pela política, os eleitores não se podem queixar dos seus representantes, eu, dado que estou legalmente impedido de votar devido à minha idade, sinto-me perfeitamente à vontade para fazê-lo.

Não agora, contudo, dado já serem quase 5 da manhã. Talvez para amanhã - digo, para mais logo.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Porque não? Até podiam fazer uns sorteios, a ver se deixam de ser a quinta força política. Aliás, aposto que aqueles comunas da CDU hão-de ter roubado uns milhares de votos ao CDS. Tudo para enganar feirantes, reformados e pensionistas. Afinal, os dois têm o mesmo discurso e simpatia em relação a esses extractos da população.

Mas até podiam fazer uns slogans, e uns tempos de antena mais capitalistas. Umas ofertas! Afinal, o que ganha o eleitorado em votar no CDS? E no PP? Pois. Devia-se dar qualquer coisa em troca.
Um submarino? Milhares de fotocópias de documentos do Ministério da Defesa? A medalha (de bom comportamento, digo eu) que Rumsfeld deu a Portas devido ao seu firme apoio à política de Bush? São só humildes sugestões da minha igualmente humilde personagem.



10 de Junho! Viva esp..Viva Portugal!

CDS-PP vai mudar designação nos boletins de voto

"O CDS-PP vai mudar a designação do partido para que apareça «mais clara» nos boletins de voto, já que a actual configuração tem suscitado dúvidas a alguns votantes, de acordo com o porta-voz democrata-cristão."


Claro, afinal de contas, há pensionistas que nem sabem ler. Para um partido sem uma ideologia clara, que mais se assemelha a um populista catch-all party, é importante identificá-lo claramente nos boletins de voto.

Sugestões aceitam-se. Eu já tenho algumas, como transformar o PP de Partido Popular, "monteirista", numa sigla ajustada ao novo Duce, digo, ao novo líder.

Saudações a quem ainda seguir este cantinho.

domingo, 5 de abril de 2009

Enquanto TODOS os canais nacionais (generalistas e de notícias) disparam resumos da bola, decidi vir postar sobre um assunto que me faz cócegas há dias: o presidente do Sudão vs. TPI.

Por um lado, é uma decisão louvável. Já é altura dos genocidas africanos começarem a responder pelos seus actos. Falta julgar o genocídio do Ruanda (1994) e os abusos de presidentes de outros países, como o Zimbabwe, depois de já ter começado o da Libéria e do Cambodja.

Por outro lado, o timing do mandato de captura ao presidente sudanês não é o melhor e provocou a expulsão de várias ONGs do país.

Independentemente da leitura que se possa fazer, há uma conclusão inequívoca: as instituições internacionais falharam a toda a linha e não têm qualquer relevância na actualidade internacional.

Vejamos: depois de ser emitido o mandato de captura internacional, o presidente do Sudão foi a cinco países diferentes (nenhum deles signatário do Tratado de Roma): foi à Eritreia, ao Egipto, à Líbia e ao Qatar, onde participou na segunda e terça-feira numa cimeira da Liga Árabe e por fim à Arábia Saudita, onde fez uma peregrinação a Meca. 
E a cereja no topo do bolo: o enviado dos EUA à região foi propor amizade entre os dois países. 

Agora seria a altura onde escreveria uma conclusão...mas penso não ser preciso.




sexta-feira, 20 de março de 2009

Internet censurada na Austrália

Bolas, já cá não vinha há algum tempo. Isto já estava a ganhar pó. 

Bem, desde o meu último post, claro que aconteceram coisas. Muitas coisas. A crise continuou a agravar-se, tal como o quadro vulcanológico do meu rosto. Enfim.

Mas o que me deu vontade e paciência para voltar a postar foi isto: Quase 2400 páginas da internet são censuradas pelo governo australiano. Há de tudo, desde sites de pornografia até religião, eutanásia, homossexualidade, satanismo e...dentistas. Parece que são os mais perigosos. 

Supostamente, seria para impedir as crianças de verem conteúdos pornográficos. Mas, dentistas? Operadores turísticos? 

Pessoalmente, acho que qualquer censura é evitável. Mesmo de conteúdos adultos. Quanto mais 4000 sites, alguns de dentistas e operadoras turísticas. Estranho, que numa democracia, isto aconteça. A última vez que tal ouvi foi na China ena Birmânia (Myanmar, o que lhe quiserem chamar). Mas são ditaduras. Numa democracia, é bizarro.

Pequena nota: alguém tente explicar ao sr. Albino Almeida, o omnipotente das Associações de Pais, que a criminalidade nas escolas pouco tem a ver com a crise. O pai ou o aluno que ataca uma professora, não o faz por causa da crise, mas sim por bestialidade. Se tropeçar na rua, a culpa também vai ser da crise? 

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Sábado, 28 de Fevereiro de 2009, 21:20 (GMT-1):

RTPN: Reportagem sobre o congresso do PS e o anúncio de Vital Moreira como cabeça-de-lista às Europeias.

SICN: Reportagem sobre uma entrevista radiofónica a Manuela Ferreira Leite.

TVI24: Debate sobre a eutanásia.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Bitaites...

Nem prestei muita atenção ao debate da AR. Mas, do pouco tempo em que o fiz, vi que o PS entende por campanha negra organizada uns cartazes do Engenheiro com um nariz de pinóquio por parte da JSD. E o PSD continua a travessia do deserto. Propostas visíveis em tempo de crise ajudavam, não uma discussão sobre cartazes e afins. 

E também é...vá, interessante, ver a nova face de Sócrates, completamente neosocializada, mas que falou, a dada altura, de "empregos em Portugal para trabalhadores portugueses". Ou qualquer coisa parecida. E aquela polémica com os trabalhadores portugueses em Inglaterra, era o quê...?

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Escândalos fiscais voltam a manchar governo de Obama

É pena. Mais importante que Nancy Killefer, a saída de Tom Daschle, na pasta da saúde, é lamentável, já que era nas mãos deste senador que estava confiada a responsabilidade de criar um sistema de saúde público nos EUA, algo que, na so called "maior democracia do Mundo", não existe, devido lobbys e visões neo-ultraliberais/estúpidas em geral. Como, num país tão desenvolvido, existe gente a morrer por falta de apoio médico de doenças "tratáveis", é inexplicável. O Estado, nos Estados Unidos, serve para quê, sem ser interferir na soberania de outros estados?

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Eis os interesses dos portugueses, segundo as palavras mais procuradas no motor de pesquisa da SAPO:


Interessantemente reflector.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Islândia pode vir a ter primeira mulher como chefe de governo

Talvez hoje ouçam falar disto. Se não hoje, talvez nos próximos dias. Parece que a próxima chefe de governo da Islândia poderá vir a ser a ministra demissionária dos Assuntos Sociais e goza de vasta popularidade entre a população. É ex-sindicalista e é conhecida por ter investido generosas quantias de dinheiro público na assistência a idosos e ao combate à violência doméstica. Mas cá para mim, se a notícia passar nos telejornais, há algo que vai ser dito por todos os canais: a orientação sexual da senhora - parece que é lésbica assumida. Aposto que a TVI vai ser a primeira. Já agora...se a senhora fosse hetero, isso iria ser mencionado?

domingo, 25 de janeiro de 2009

Sócrates, Freeport - Take 1?

Sem mais nenhum assunto relevante... 

No Jornal da Noite de ontem, a SIC começava a reportagem sobre a nova telenovela informativa, o caso de Sócrates e o licenciamento do Freeport, com: "Quem conhece o tio de Sócrates, diz que é discreto e muito rico.

Pois. Acho que já ouvi dizer de várias pessoas que eram muito ricas...mas em adros de igreja ou lugares que tais. Agora, começar uma reportagem na SIC a dizer que se diz que o tio do primeiro-ministro é rico? Não que seja apoiante de Sócrates - longe disso - mas este tipo de reportagem à la TVI que me desilude na SIC. Gostos.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Congressos CDS, PSDA, Moção do Zé Sócrates...

Bem, o fim-de-semana foi animadito, um aquecimento de pré-campanha eleitoral e o carregar de baterias. Alvo: PS. Seja em que zona for. A começar na moção de Sócrates. Não atentou contra o PS histórico nem a ala esquerda do partido. Acho que atentou contra o próprio Sócrates e o seu governo - felizmente.

Depois, o congresso do PSDA. Nada de especial ou inovador: o sr. Rui Melo fez erros de português, achou-se maior do que é e fez pontaria ao Costa Neves. António Soares Marinho defendeu-lhe a honra (ao Costa Neves, claro, é preciso ter honra para esta ser defendida). Berta Cabral foi devidamente - e finalmente - aclamada. E Manuela Ferreira Leite fez um discurso com a mesma garra de sempre: nenhuma. Lembrar-me do seu discurso, depois de ver o de Obama, ...

Falta o CDS. Os militantes descontentes com Portas - 6? - manifestaram-se, mas, quer se goste quer não, o PP é de Paulo Portas. 

Sem mais nada de momento.

Obama - Day One

Obama quer "nova era" nos EUA e diálogo com mundo muçulmano



Começa bem. O discurso de Obama, embora não tão marcante como no dia da eleição, transmite confiança ao eleitorado. Claro que todas as expectativas à volta de Obama não serão concretizadas - é impossível. Claro que todos nós com certeza nos iremos desiludir com algumas das suas escolhas. Pessoalmente, o meu maior receio é que Obama encarne de tal modo a pele de um estadista de tal modo que se lhe apaguem qualquer sinal de espontaneidade. No entanto, considero que o fecho de Guantánamo, a retirada do Iraque e a retoma, ainda que lenta e gradual, da economia serão os grandes contributos da sua administração. Ah! E não menos importante (antes pelo contrário, nem que seja por razões estratégicas e não de altruísmo, obviamente), uma postura não mais agressiva com Israel, mas mais influente, no sentido da criação de um Estado Palestiniano.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Alegre, Sócrates, PS, Legislativas e derivados

Alegre diz que a porta para acordo com Sócrates «é estreita»

Isto não vai dar em nada, vamos voltar ao mesmo, e o Alegre vai entrar em 2010 sentadinho num lugar parlamentar do PS a votar contra o partido e a dizer que as liberdades estão em perigo. Respeito muito Manuel Alegre pelo seu papel na instauração da democracia em Portugal, mas este recuo em nada serve o país. 

domingo, 11 de janeiro de 2009

Obama - Desilusão, já?

Obama considera improvável o fechamento de Guantánamo logo após a posse

Mau...mas afinal? Que mais tarde ou mais cedo teria de haver alguma desilusão, já eu estava à espera, mas ainda antes de ele tomar posse? Mas pronto, há que dar o benefício da dúvida: talvez seja nos primeiros 6 meses...

Capas da Visão e da Sábado

Passei ontem pelo FM, um quiosque/bar/lan-house do PA e decidi ver se algumas das capas de certas revistas me suscitavam algum interesse. Pois bem: não o conseguiram, e a da Sábado até me suscitou alguma indignação.

Não, não foram as duas maçãs nem a Mona Lisa no canto, não sou nenhum pseudodetective religioso (embora ache o Vaticano uma semiaberração, nalguns dos seus actos). Num cantinho, à esquerda, lia-se qualquer coisa sobre a "máquina de guerra do Hamas". Ok, eles recebem uns rockets do Irão, e isso até é grave. Mas numa altura em que os palestinianos em Gaza estão a ser chacinados, em que os israelitas nem edifícios da ONU poupam, falar na "máquina de guerra do Hamas é, não digo que descontextualizado, mas algo perto do inconveniente. 

Já a capa da Visão parece-me mais...de acordo com a realidade. E com a imagem abaixo, pouco mais será preciso dizer.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Israel/Palestina - Take 2

Israel quer atingir as suas metas antes de falar do fim da ofensiva

Eu estudei Lógica em Filosofia em pouco tempo, e isto está a acusar irracionalidade na minha cabeça...mas se Israel só vai parar quando lhe apetecer...isto acrescenta alguma coisa de novo? 

"No final das contas, trata-se de uma guerra contra o terrorismo. Não pedimos à comunidade internacional que se una a nossa luta, mas pedimos que nos entenda e nos dê tempo", destacou Livni.

Claro, demorem o tempo que quiserem...e sabem aquela gente que mora lá? Não se incomodem, eles um dia hão-de vos agradecer...Quando forem ter com as 70 virgens. (morrerem)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Zimbabwe

Tentei arranjar um tópico sobre o qual os EUA não tivessem grande importância, para deixar de bater um pouco no ceguinho. Não tenho grande paciência para postar sobre a guerra do gás e as temperaturas baixas, portanto lembrei-me de um país africano em queda livre: o Zimbabwe.
Como a Comunicação Social não se cansou de repetir, o Zimbabwe era, há uns anos, o celeiro de África, com altas produções de cereais, fazendo-o um país importante da África Austral e de todo o continente. 
No entanto, as políticas nacionalistas de Mugabe tornaram um país próspero numa economia decadente, com uma inflação...inimaginável nem é suficiente para descrever o caos em que se tornou o Zimbabwe. Recentemente, um surto de cólera, agravado pelo não-tratamento da água devido à falta de dinheiro do Estado transformou uma situação má numa catástrofe. 
A hiperinflação, a crise alimentar, todos os N problemas que assolam o Zimbabwe são (maioritariamente) culpa de Robert Mugabe. O outrora herói nacional converteu-se num fardo insustenvável para o seu povo. A reforma agrária, iniciada em 2000 (penso, e não tenho paciência de pesquisar), tirou terras aos agricultores brancos para dar aos negros que tinham sofrido com a guerra da independência (se não foram as palavras exactas do sr. Mugabe, penso que era este o sentido). Pois bem, não acho correcto. Não se deve expropriar a propriedade de ninguém, muito menos por motivos raciais. Mas se as terras ainda fossem para distribuir ao povo...Acontece que não foi. Mugabe distribuiu milhares de hectares de terra pela sua pequena cúpula, mostrando até que ponto a corrupção está tão incrustrada no Zimbabwe (e em boa parte de África). O governador do Banco Central do Zimbabwe, Gideon Gono, está a construir, no meio de toda a pobreza envolvente e com o o surto de cólera a crescer incontrolavelmente, uma soberba mansão, inspirada na luxuosa propriedade de...Mugabe, quem mais? (talvez um general ou outro zimbabueano...) E a obra vai avançada, parece que já tem 40 e tal suites...só lhes falta comprarem uma mansão em LA, darem um saltinho a Vegas aos fins-de-semana...mas isso há de ser quando a população morrer toda (de cólera, de fome...é à escolha). O que resta dela.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Entrevista a José Sócrates

A entrevista do primeiro-ministro José Sócrates, transmitida segunda-feira pela SIC, foi vista por cerca de 2,7 milhões de telespectadores, mas não passou do quinto lugar entre os programas mais vistos do dia.

2,7 milhões de ingénuos dos quais eu orgulhosamente não faço parte. No entanto, nem a entrevista ao primeiro-ministro consegue bater o share das telenovelas da TVI. Incrível!

Somália 1991-2008

Comecei a seguir a situação na Somália um pouco antes de ela explodir na Comunicação Social. Depois, comecei a tentar perceber as razões que tinham levado a um caos tão grande. Pois bem: desde a queda do regime ditatorial de Siad Barre, em 1991, o país mergulhou num caos, com os "senhores da guerra", os líderes dos clãs, a tomarem a capital. Em 1992, a ONU iniciou uma acção humanitária no país, com a ajuda dos EUA. Embora conseguisse diminuir a fome no país, a operação foi um fiasco, com a morte de 18 soldados norte-americanos, cujos corpos foram expostos pelas milícias nas ruas da capital, Mogadíscio. Em virtude disso, os EUA abandonaram o país em 1993. Sozinha, a ONU retirou-se oficialmente do país em 3 de Março 1995. Depois destes acontecimentos, os EUA e a maior parte dos outros países do mundo viraram as costas à Somália.

Os anos passaram e as fomes e as guerras foram continuando e ganhando proporções crescentes.

Um governo de transição foi nomeado e apadrinhado pelos EUA. No entanto, não tinha poder nenhum nem gozava do apoio da população, tanto que a tomada de posse foi em Nairobi (capital do Quénia), em 2004.

O mundo só voltou a acordar para a Somália em 2006, quando a União das Cortes Islâmicas (UCI) tomou de assalto vários pontos do país, incluindo a capital, Mogadíscio. Pela primeira vez desde 1991, a Somália tinha alguma paz.

De imediato, os EUA e o Reino Unido consideraram a UCI uma ameaça terrorista com ligações a Al-Qaeda e, juntamente com a Etiópia, país vizinho e impopular entre os somalis, esmagaram a UCI, mergulhando novamente o país no caos.

Depois de ver isto, claro que a minha reacção foi: "mas os EUA só fazem m****?!?". É inacreditável a ingerência e o abuso de poder que os EUA protagonizam. Enquanto que na primeira vez a presença dos marines na Somália era em missões humanitárias, em 2006 destinou-se apenas a esmagar a UCI, que deram ao país um período de paz pela primeira vez desde 1991. 

Os EUA são co-responsáveis pelo caos da Somália. A comunidade internacional é cúmplice. Mas é a mesma comunidade internacional apressou-se a mandar navios de guerra para vigiar a pirataria na costa da Somália e do Iémen. No entanto, em vez de reagir pela força, há que procurar saber as razões que levam tanta gente á pirataria: acredito que, tal como no terrorismo, a pirataria é muito apoiada pela população porque é a actividade que lhes permite fugir à fome e à morte. As pessoas precisam de dinheiro para viver no mundo capitalista de hoje, e se a única solução são actividades consideradas ilícitas, então o seu instinto de sobrevivência leva-as a aceitar essas mesmas actividades. v.d. o ópio no Afeganistão, o narcotráfico na Guiné-Bissau, ... a lista é infinita.

Se os EUA querem alargar a sua predominância em decadência, façam-no melhorando o nível de vida das pessoas e não com armas e ameaças.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Israel/Palestina

É certo que o Hamas violou o cessar-fogo (Israel também). É certo que os rockets continuamente por eles lançados causaram vários mortes de pessoas inocentes. Mas isso nunca pode justificar a reacção completamente desproporcionada de Israel - é como reagir a uma bofetada com um espancamento. Nada justifica um massacre como este, com centenas de mortos, alguns sem qualquer relação com o Hamas. O pretexto de acabar com esta organização (terrorista?) não torna aceitável que uma família inteira seja morta para encontrar um líder do Hamas, força democraticamente eleita. Democraticamente.
Mas os ataques aéreos não foram suficientes. Não, nada disso, porque o Tio Sam deu aos sobrinhos umas armas mesmo boas que eram uma pena ficarem arrumadas. O ministro da Defesa israelita, Ehud Barak, já admitiu que o conflito não será curto nem fácil e uma incursão terrestre já começou. “Pode levar tempo e cada um de nós deve ser paciente para que completemos a missão”. E a missão é...? Como se atacar um povo não fosse suficiente, o objectivo e o tempo da "missão" são completamente desconhecidos.
Isto leva-me a acreditar que a principal organização terrorista naquela zona não é o Hamas mas sim Israel. Quem duvide, veja a evolução do tamanho da Faixa de Gaza até aos dias de hoje. Israel quer tanto o desaparecimento da Palestina como o Hamas quer o de Israel.